sábado, 7 de novembro de 2015

12 A batalha de Uhud



Depois da batalha de Badr os habitantes de Meca queriam se vingar. Prepararam um exército e marcharam em direção a Medina. Uma vez ali, acamparam fora da cidade e esperaram Maomé. Ele, por sua vez, preferia esperar até que atacassem a cidade para utilizá-la como defesa, mas muitos de seus impulsivos guerreiros se sentiam invencíveis e queriam sair para enfrentar o inimigo. Maomé finalmente combinou e marchou com seus homens ao encontro do exército de Meca em um lugar chamado Uhud.
O início da batalha favorecia aos muçulmanos, que agora lutavam com uma valentia suicida, pois confiavam que a morte os levariam ao paraíso. Os guerreiros de Meca perderam a possibilidade de se comunicar com seu acampamento, que era onde tinham suprimentos e objetos de valor.
Maomé havia levado um grupo de arqueiros para proteger a retaguarda. Ao ver que o exército de Meca havia ficado incomunicável, os arqueiros avançaram para serem os primeiros a ganharem o prêmio. Isto deixou o exército de Maomé exposto e a cavalaria de Meca investiu contra as defesas muçulmanas, destroçando-as.
Maomé teve que fugir para salvar sua vida e seu exército foi derrotado. Para sua sorte, os guerreiros de Meca não aproveitaram esta vantagem. Haviam acudido em busca de justiça tribal e era justo o que haviam obtido. Como acontece com a maioria das sociedades que recorrem a violência, os cidadãos de Meca tinham um objetivo. Uma vez que já haviam conseguido esse objetivo, guardaram as armas e voltaram a suas casas. 
Para muitos muçulmanos, a derrota em Uhud foi uma importante chamada de atenção. Até então acreditavam que Alá estava a seu lado e que por isso eram invencíveis. Maomé, tão inteligente como sempre, utilizou este reverso em seu benefício.

Explicou aos muçulmanos que Alá estava pondo a prova. Se ele somente desse vitórias fáceis, Alá não poderia ver com clareza quem eram os autênticos seguidores. Também era mais importante que os muçulmanos aprendessem a lutar principalmente pela glória de Alá e o progresso do Islã. O espólio de guerra não era mais um prêmio adicional. Concentrar-se nos prazeres da vida havia provocado sua derrota e Alá não estava contente com eles.

Excerto do Corão:
3:140 Quando um golpe vos atingir, igual golpe terá atingido os descrentes. São vicissitudes que alternamos entre os homens para que Deus reconheça os que creem e escolha mártires entre vós – Deus não ama os iníquos.
3:142 Ou pretendéis entrar no paraíso sem que Deus conheça aqueles dentre vós que lutaram e perseveraram?

Comentários do autor:
Na guerra, um dos fatores chaves para a vitória é manter bom ambiente nas tropas. Isto é fácil quando você tem êxito todo o tempo, mas uma série de derrotas pode fazer com que os soldados percam as esperanças e o desejo de lutar.
Maomé, com sua genialidade habitual, deu a seus guerreiros inspiração divina para que lutassem tanto se ganhassem como se perdessem. Não se luta só para ganhar. Ele lhes disse: Alá nos confirmou, se luta para que Alá possa valorizar nossa devoção e nos premiar com o paraíso. Esta é a regra seguinte da jihad, que garante ânimo entre os soldados muçulmanos, inclusive em situações desesperadoras.

Regras da jihad:
7) Nunca se renda, inclusive quando estiver perdendo.

Depois da batalha de Uhud, Maomé voltou a enviar seus assassinos para matar o líder do grupo opositor. Com a bênção de Maomé, os assassinos fizeram a vítima crer que eram amigos e se aproveitaram de sua confiança para se aproximar e matar. Maomé começou este tipo de operação enganosa em muitas ocasiões para assassinar seus oponentes políticos.

Excerto da Sira:
I681 Um dos Ghatafans se aproximou de Maomé e disse que era muçulmano, mas ninguém mais sabia. Maomé lhes disse: “Vai e semeia a desconfiança entre nossos inimigos. A Guerra é enganar”. 

Excerto do Hadice Sahih Bukhari:
Volume 4, Livro 52, Número 268. Maomé disse: “A guerra é o enganar”.

Maomé era um mestre da psicologia e utilizava com frequência a mentira para obter vantagem sobre o inimigo. Também incentivava seus seguidores a fazerem o mesmo.

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